Foi também nesse período que tive meu primeiro contato com a cerâmica. Naquele momento, o barro entrou na minha vida como uma possibilidade, uma descoberta que permaneceria guardada por um longo tempo.
A vida depois me levou para muitos lugares. Vivi em outros países, conheci outras culturas e me experimentei em diferentes áreas de trabalho. Cada experiência ampliou meu olhar, mas também me aproximou daquilo que sempre esteve presente: o interesse pelos processos, pela natureza, pelo cotidiano e pelo que pode ser transformado.
Em meio à velocidade e ao concreto de São Paulo, o studio é um lugar de tempo lento, escuta e sensibilidade. Um espaço de experimentação constante, onde posso me aproximar um pouco mais da simplicidade e do ritmo da natureza.
O Studio Api nasceu depois de um ano que vivi em Bali. "Api”, em indonésio, significa fogo — o fogo que move e energiza. O mesmo fogo que atravessa o barro e deixa suas marcas.
Foi ali que tive minha primeira experiência com a queima à lenha. As cores e texturas que resultam desse processo transformaram para sempre o meu olhar. Desde então, sigo em busca da rugosidade do acúmulo das cinzas, das marcas deixadas pelas chamas e da beleza do acaso — desse momento em que o fogo se movimenta em busca de oxigênio e transforma a atmosfera de cada peça.
Essa experiência permanece como uma referência e orienta minha pesquisa sobre a superfície do barro. Busco criar texturas que carreguem essa mesma força, imprevisibilidade e presença.